domingo, 10 de maio de 2009

Avental todo sujo de ovo

Dona Claudia é minha mãe.
É meio maluca, daquelas que sai fazendo passos de balé no meio da rua só para arrancar uma gargalhada da gente. E eu adoro isso ! Arisca, não gosta de ninguém grudando muito nela, amassando, abrançado, beijando. E não é por isso que ela ama menos, um olhar ou um sorriso dela valem mais do que um milhão beijos.

Entra no quarto fazendo careta, me xinga quando deixo copo no quarto e roupa largada. Briga comigo quando digo que atrasei alguma das minhas contas. Fica preocupada quando eu reclamo demais do trabalho. Não gosta da toalha molhada em cima da cama e do banheiro bagunçado. Muito menos de prato sujo dentro da pia e mesa cheia de migalha de pão.

Cozinheira de mão cheia, tem quase todos os livros de gastronomia, de Jamie Oliver a Condon Bleu. Sabe fazer de tudo, se arrisca entre a culinária do oriente sem deixar de fazer o melhor arroz com feijão do mundo. Sua prioridade agora é encontrar uma boa receita de creme brulé. Me fez um banquete ontem só pq viu que estava tristinha por estar trancada em casa há mais de um mês.

Psicóloga formada, sabe muito da alma das pessoas. Sabe quando eu não estou bem pelo jeito que abro a porta. Mas isso eu já acho que é bruxaria de mãe mesmo.
Já chegou a me dizer que eu tenho aquele probleminha de "condicionamento inconsciente", onde eu procuro as mesmas características em paixões diferentes. E o pior é que ela está certa.

Sempre foi muito vaidosa e não sai de casa sem batom. A Pilili aprendeu isso com ela. Caroleta tbm. Eu ainda estou aprendendo. Principalmente agora que ela assumiu um posto que não gosta nem um pouco: motorista particular. Toda vez que eu saio de casa com ela pra trabalhar tomo uma bronca: "Passa um lápis nesse olho, menina! Tá parecendo uma doente! "

Guarda os filhos embaixo da saia. Parece uma galinhona cuidando dos pintinhos.E isso não é uma crítica. Eu sei que posso correr pro colo dela quando eu precisar. E nunca vai me deixar brigar com meus irmãos. Por mais que a briga seja feia, ela arruma um jeito dos três filhos estarem sempre bem. Não lembro de ficar mais de um dia sem falar com o Tranqueira ou com a Caroleta - mesmo na infância. E cuida da Pilili melhor do que eu jamais cuidaria.

Odeia ser chamada de Dona Claudia.

Ela é meu espelho. Ela é meu porto seguro. Se eu conseguir ser só metade do que ela é, vou ser muito feliz.
Mãezinha, te amo pra sempre !

2 comentários:

J.R disse...

Gostei do CONDICIONAMENTO INCONSCIENTE. (sofro desse mal)

FELIZ DIA PRA ELAS!!!

ótima semana.

Núbia Tavares disse...

E não gosta da rua onde eu moro!!!!

Viva a dona Cláudia!